Heartless

26 junho, 2010

Há quem diga que no fundo todos possuem seu lado bom. Das almas que se perdem por uma vida inteira e no fim se arrependem de tudo e são perdoadas. Dos que magoam com palavras e atitudes, mas que eram apenas palavras. Apenas um erro humano. Todo mundo erra. Não é isso que dizem?

Sempre relembram que a vida é assim mesmo, que somos criados para passar por problemas, ter medos e correr riscos. Que a verdade nem sempre é algo para se ser dita, e ainda que a dor muitas vezes é necessária.

Creio que de fato todos esses pretextos tem um ponto de verdade, porém nem sempre é bem assim. Somos capazes de nos iludir com esperanças bobas de que pessoas que amamos nunca nos farão mal algum, quando na verdade sempre acabamos sofrendo por elas. De que mentiras nos trarão mais alegrias que fatos reais, quando não passam de doses de ilusão barata. De que amar será sempre se doar mais e mais, quando cada vez menos as pessoas se doam umas as outras.

Gotica021

Não há mais um lado bom existente no mundo. Talvez uma parte dele ainda permaneça, porém quase inexistente. Pede-se por socorro e ninguém é atendido. Roga-se por esperança e apenas geram-se desilusões. Crianças passam fome, e os ricos, solidão. Ninguém é feliz. Há escassez de alegria. Falta de dignidade.

Até quando seremos obrigados a conviver com isso? Viver na existência de tanta desgraça, tanta covardia com o próximo. Não há solução para tamanho descaso global. O egoísmo passará a dominar cada mente, a posse será a única felicidade sustentável. Não haverá paz.

Apenas sei que meu coração sempre estará aberto. Sustentando cada batimento forte, cada palpitada de dor. Mesmo que ninguém entenda. Eu estarei de pé, firme e forte. Orgulhosa de fazer parte da pequena porcentagem que se preocupa com o mundo. E não apenas dela, como também daqueles que fazem algo para mudar a situação.

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Live is cohabit

24 junho, 2010

Vive-se num mundo que não sabe conviver com a diferença.

Viver é conviver

Ou seja, as pessoas não sabem de fato viver. E o pior é que isso não é algo novo. A história está repleta de guerras e indiferenças de todos os tipos. Ainda há aqueles que julgam tornar o outro igual a si próprio, por não saberem respeitar o próximo. Deve-se entender que cada um é único, e isso faz do universo algo incrível e original, envolvido em surpresas e acasos da vida.A diferença é algo pleno e intenso, onde se faz necessário observar cada experiência vivida e estar aberto a novos modos de pensar e agir. É preciso aprender a ver a vida de uma nova perspectiva, verdadeiramente. Viver significará conviver, cada vez mais, respeitando o limite do outro. Assim disse Kant, um grande pensador iluminista. E essa convivência exige também o reconhecimento de nosso próprio caráter e possíveis realizações.

É plangente quando se percebe que não existe mais respeito pelo próprio ser humano. Muitas vezes quem possui um cargo superior perde a humildade e muda completamente de postura. Poder requer dignidade e saber discerní-lo. O amor afetuoso parece não mais existir, visto que a peleja reina entre a sociedade. É necessário partilhar valores semelhantes, adquirir o conhecimento de que todos são indivíduos, mas não num sentido individual e sim em conjunto. Mesmo que se divida a verdade, ela ainda liga certos laços de solidariedade à todos que a presenciam. É imprescindível então que se saiba seu devido valor e função, sendo capaz de ouvir, respeitar e caminhar em grupo. Assim, se forma uma comunidade. Com os inabaláveis lemas iluministas. Igualdade, Liberdade e Fraternidade. Onde todos são apenas um. E onde esse um é o suficiente para lutar e conquistar tudo o que se almeja.

Present

22 abril, 2010

Tentei fechar os olhos e me concentrar novamente no que eu realmente acreditava. Eram tantos pensamentos obscuros que nada parecia fazer sentido. Pensei e pensei, porém a dor permanecia intensa. Foi então que os abri, tudo parecia brilhar profundamente. Ofuscavam minha memória. Reviravam o meu ser. Ao tentar fantasiar algo que no fundo sabia ser impossível, acabei por observar o que havia a minha volta, na esperança de sarar aquela dor intermitente. Notei um mundo real, sim, admito. Porém único e quase indescritível. Onde há beleza em cada pedra, cada brisa ou movimento. Onde há vida, alma e acredite, até tempo. Me encontrei nessa imensidão, e acabei por notar que nela sempre estive.

Boa noite. Me encontro sozinha no meu quarto. São 10:46 p.m. e o silêncio me acompanha. Não ouço os ruídos comuns da cidade afora, apenas do leve digitar das teclas das quais os escrevo. Por um lado me vejo feliz, por estar em paz e cheia de vida, rodeada de bens e virtudes. Por outro infeliz, pelo simples fato de existir. Talvez seja apenas mais um dos momentos da vida que nos fazem refletir, no entanto são aqueles dos quais parecem levar horas e horas de duração. Que acabam por se tornarem quase que invencíveis. Mas que por sua vez, simplesmente se vão, sem aviso prévio ou vontade. O jeito é aceitá-los e continuar como somos. Incapázes de arrumar outra saída, além de esperar pelo melhor. De acreditar que as coisas dêem certo, e de nos esforçármos por isso. De fato, quando as coisas não ocorrem da maneira que pensamos, muitas vezes nos vemos perdidos. Sem destino. Tanto o que se ver, pensar e agir; mas em tais acasos nada parece realmente fixo ou provável. Tudo gera desconfiança, e por conseguinte, frustração.

A realidade, senti-a tentando me pressionar novamente, contudo esforcei-me para distinguir o que era realmente útil. As palavras pareciam embaralhadas, não havia nexo, sequência. Para que saísse algo de minha boca, lutei. Que eu fosse capaz de falar. E de ser ouvida. Porém, ninguém estava ali para tal propósito.

Novamente me vi só.

No silêncio dos que já se foram, busquei o mar. Aquele do qual me encanto e que vive por si só. As ondas parecem dançar calmamente entre a beira da praia, e nos envolvem como se nos chamássemos para uma festa. E  já houve épocas em que as ondas chegavam rápidas, turbulentas. Jorravam no meu corpo como se estivéssem imensamente felizes por minha presença. Sozinha ali, nunca estive.

Que saudades eu tenho do mar. Da água salgada por fora e doce por dentro. Da forma irregular e infinita que apresenta. Do cheiro de paraíso e do alívio que me refresca. Há quanto tempo não passo por lá! Mar das águas serenas, das profundezas do horizonte, ajudai-me com sua força, sua vontade persistente de sempre estar em movimento, suas correntezas que sempre seguem seu rumo, seus animais que vivem do teu oxigênio.

Dai-me forças, pois, agora, que mais preciso do teu azul. De suas idas e vindas das ondas, representando a força de nossas atitudes, que eu seja a maior delas. E que eu saiba seguir adiante, mesmo que eu venha a regredir. Que eu entenda que é normal, e necessário para que eu avance ainda mais.

Comecei este post um tanto triste. E obtive forças ao longo da escrita que, como sempre, me incentiva cada vez mais a viver e aprender a lidar com certos acasos da vida. Espero que quem os lê também possa se sentir assim, alimentado de esperança e harmonia. Tudo o que precisamos para seguir firmes e fortes, como uma onda do mar.

Inspiração:

letra

Illusion?

24 fevereiro, 2010

Foi naquela tarde de verão. A realidade veio a tona. A fantasia desaparecera feito mágica, como quando se descobre que não existe bem o “Felizes Para Sempre”. E lá estava eu, completamente inerte, pairando entre o tempo e o espaço. Perdida, como sempre. Não sabia se buscava o que perdera, ou se lutava pra recomeçar tudo do zero. Sozinha. E aqueles sentimentos, que não me feriam a alma, agora surgiam como chamas escaldantes, me atentando a cada segundo e rugindo como feras raivosas… O que fazer?

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Bom dia amados leitores, cá estou mais uma vez com um prazer enorme de escrever e compartilhar com vocês minhas singelas palavras. Sei que de nada vale falar e não ser ouvido, assim como escrever e não ser reconhecido. Mas de nada adianta mesmo pensar em algo tão denso e não transmití-lo com os outros. Por isso me sinto tão profunda ultimamente, tenho absorvido tantas lembranças, tantas emoções, e passei a ignorá-las dentro de meu próprio ser. Nem mesmo lembrava de tudo isso, mas sou capaz de transformá-las em histórias, tenho um certo dom. Seria uma boa escritora um dia, quem sabe. Pra mim, nada é por acaso. São tantas ideias que me vem a mente. Uma vontade tão intensa de me expressar, de ser reconhecida. Como recusar algo que grita secretamente dentro de minha própria alma? E por isso estou aqui novamente. Me sentiria egoísta pensando em tanta coisa e guardando tudo só pra mim. Oras… sentimentos devem ser compartilhados, não importa o que transmitam! Ou então acabaríamos como sombras desordenadas ao vento. Meramente recolhidas ao Sol. Sem expressão, sem vida. Não quero ser uma sombra, mas sim uma luz. A luz que ilumina a alma de alguém, quero tocar lá dentro, onde ninguém mais ousou chegar. Sei que é uma tarefa árdua, porém confio em mim mesma e me esforçarei o suficiente. Afinal, meu esforço chega a ser desprezível, quando se observa que é uma vontade, e não um compromisso. É questão de honra mudar o mundo à minha volta, já que não “existe” a tal fantasia da qual me abasteço… quero vivenciá-la com alguém. Pois ela de fato existe sim, na minha mente. E se existe aqui, pode existir na sua também. O ato de escrever e sair da realidade se dá quando somos capazes de provar que as coisas poderíam ser diferentes. Isso nos faz mais fortes. Moveríamos montanhas. E tenho certeza que não sou só eu que penso assim, cada um de nós é alimentado por uma esperança, por menor que ela seja, de que existe mais além. E garanto a vocês que estamos chegando lá…

Por hoje é só, grande beijo e boas reflexões!  ❤